O FUTURO DA ORLA DE MATINHOS: ORGANIZAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E VALORIZAÇÃO DAS PESSOAS

 Ordenar a orla é necessário. Planejar o futuro de quem vive dela também.

Matinhos vive um momento importante de discussão sobre o futuro de sua orla marítima.

A proposta de concessão de espaços públicos para instalação e exploração comercial de quiosques, somada ao debate sobre o reconhecimento dos trabalhadores ambulantes como parte do patrimônio histórico e cultural do município, trouxe à tona uma questão que merece atenção de toda a sociedade.

Não estamos falando apenas de quiosques, trailers ou vendedores ambulantes.

Estamos falando de turismo, desenvolvimento econômico, identidade local, ocupação dos espaços públicos e, principalmente, do modelo de cidade que queremos construir.

A orla é um dos nossos maiores ativos.

É um espaço de convivência, lazer, trabalho, geração de renda e atração turística. Seu planejamento precisa considerar todas essas dimensões.

É legítimo que o município busque organizar a atividade comercial, qualificar os serviços, estabelecer padrões de funcionamento, melhorar a infraestrutura e atrair investimentos.

Uma orla bem estruturada contribui para a experiência do visitante, fortalece o comércio, estimula novos negócios e amplia o potencial turístico de Matinhos.

Mas existe outro lado que não pode ser ignorado.

Há trabalhadores e famílias que construíram sua atividade econômica na orla ao longo dos anos. Muitos dependem da temporada para garantir parte significativa de sua renda anual.

Essas pessoas também fazem parte da história, da dinâmica econômica e da identidade da cidade.

O desenvolvimento não deve apagar essa trajetória.

Organização e valorização humana não são objetivos opostos.

O desafio está justamente em encontrar um modelo que permita avançar na qualificação da orla sem desconsiderar os trabalhadores que já participam de sua atividade econômica.

O reconhecimento dos ambulantes como patrimônio histórico e cultural é uma iniciativa que valoriza a memória e a contribuição dessa atividade para Matinhos. Entretanto, reconhecer sua importância cultural é diferente de estabelecer as condições práticas para o exercício profissional.

Da mesma forma, conceder espaços públicos à iniciativa privada pode representar uma oportunidade de investimento e qualificação, desde que esse processo seja conduzido com transparência, critérios claros e atenção aos impactos sobre a economia local.

Não podemos reduzir essa discussão a uma disputa entre ambulantes e futuros concessionários.

Precisamos pensar em uma orla onde diferentes atividades possam coexistir de maneira organizada, respeitando a mobilidade, a acessibilidade, a higiene, a paisagem, a legislação e o interesse coletivo.

Isso exige planejamento.

Exige diálogo com os trabalhadores, moradores, comerciantes, entidades representativas e poder público.

Exige também uma visão de longo prazo, que considere não apenas a próxima temporada, mas o futuro turístico e econômico de Matinhos.

Algumas perguntas precisam fazer parte desse debate:

  • Como garantir que a modernização da orla também gere oportunidades para os empreendedores locais?
  • Como preservar a atividade dos trabalhadores que já fazem parte dessa realidade?
  • Como assegurar que os espaços públicos sejam utilizados com qualidade, transparência e equilíbrio?
  • Como transformar os investimentos em benefícios para a cidade como um todo?
  • Como construir uma experiência turística que valorize tanto a infraestrutura quanto as pessoas que recebem nossos visitantes?

Essas questões não devem ser tratadas como obstáculos ao desenvolvimento. Devem ser consideradas parte essencial do planejamento.

O desenvolvimento de uma cidade não se mede apenas pelos investimentos que ela consegue atrair, mas também pelas oportunidades que consegue gerar e distribuir.

Matinhos precisa avançar. Precisa qualificar sua infraestrutura, fortalecer sua atividade turística, atrair empreendedores e ampliar sua capacidade de gerar emprego e renda.

Mas esse avanço será muito mais consistente se conseguir integrar investimento, organização, identidade local e valorização das pessoas.

O projeto Turismo Matinhos acredita que o debate deve seguir esse caminho.

Não se trata de ser contra a modernização, nem de defender a manutenção de situações que precisam ser organizadas.

Trata-se de defender um desenvolvimento responsável, participativo e capaz de produzir benefícios duradouros para a cidade.

A orla pertence à cidade. Seu futuro interessa a todos nós.

Matinhos merece uma orla organizada, valorizada e preparada para o futuro,  sem esquecer as pessoas que ajudaram a construir sua história.

Turismo Matinhos — Um movimento pela valorização da nossa cidade.

Vem viver esta cidade.

Paulo Vicedo
Empreendedor | Estrategista de Negócios
Especialista em Desenvolvimento e Valorização Imobiliária no Litoral

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