Nem toda escolha precisa fazer sentido para os outros.

                                                                                                Capítulo 17 

Existe um momento na vida em que começamos a perceber algo importante.

Nem todas as nossas decisões precisam ser compreendidas pelas outras pessoas.

Durante muito tempo, buscamos aprovação.

Queremos que entendam nossas escolhas.

Que concordem com nossos caminhos.

Que reconheçam nossos esforços.

Que enxerguem aquilo que estamos tentando construir.

Mas chega uma fase em que precisamos entender:

A vida que estamos construindo será vivida por nós.

Não pelos outros.

Cada pessoa enxerga a nossa trajetória a partir do próprio lugar.

Alguns enxergam o risco.

Outros enxergam a oportunidade.

Alguns enxergam aquilo que perdemos.

Outros percebem aquilo que estamos reconstruindo.

E muitos enxergam apenas o resultado.

Poucos conhecem o caminho inteiro.

Por isso, tomar decisões apenas para que elas façam sentido para os outros pode nos afastar daquilo que realmente queremos construir.

Isso não significa ignorar conselhos.

Muito pelo contrário.

Pessoas maduras sabem ouvir.

Analisam.

Questionam.

Consideram perspectivas diferentes.

Mas, depois de ouvir todos...

decidem.

Porque responsabilidade também significa assumir as consequências das próprias escolhas.

Não podemos entregar a outra pessoa o volante da nossa vida e depois reclamar do destino.

Existe uma diferença enorme entre ser aconselhado e ser conduzido.

O conselho amplia nossa visão.

A dependência limita nossa autonomia.

E talvez amadurecer seja justamente aprender a escutar sem necessariamente obedecer.

Agradecer uma opinião sem precisar adotá-la.

Respeitar uma experiência sem abandonar a nossa.

E seguir um caminho que talvez ninguém ao nosso redor consiga compreender completamente.

Algumas das decisões mais importantes da nossa vida parecerão estranhas para quem observa de fora.

Recomeçar pode parecer loucura.

Esperar pode parecer acomodação.

Mudar de direção pode parecer fracasso.

Começar novamente pode parecer retrocesso.

Mas existe uma coisa que somente nós sabemos:

o que estamos tentando construir.

E quem conhece o propósito consegue suportar melhor a incompreensão do caminho.

Talvez essa seja uma das maiores liberdades que adquirimos com a maturidade:

parar de viver para explicar nossas escolhas.

Não precisamos transformar cada decisão em uma justificativa.

Precisamos apenas ter consciência suficiente para saber por que estamos escolhendo.

E coragem suficiente para assumir o resultado.

No final, cada pessoa precisa construir a própria história.

Não a história que esperavam que construíssemos.

Não aquela que parecia mais conveniente.

Não aquela que faria todos felizes.

A nossa.

Porque viver é escolher.

E construir é assumir a responsabilidade por aquilo que escolhemos.



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