Nem todo degrau foi feito para sustentar você.

COLEÇÃO CONSTRUIR - CAPÍTULO 23

Quando estamos construindo alguma coisa, encontramos pessoas pelo caminho.

Algumas chegam para somar, outras para ensinar e algumas caminham conosco durante muito tempo.

Outras permanecem apenas durante uma etapa.

E existem aquelas que parecem representar uma oportunidade...

mas acabam se transformando em um obstáculo.

Uma parceria pode acelerar uma construção.

Mas também pode comprometê-la.

Uma sociedade pode multiplicar forças.

Mas também pode multiplicar problemas.

Uma pessoa pode abrir uma porta.

Mas também pode conduzir você para um caminho que não deveria ter escolhido.

Por isso, confiança é importante.

Mas confiança sem discernimento pode custar caro.

Precisamos aprender a observar antes de entregar nossa confiança.

Não basta alguém falar bem.

Não basta apresentar grandes projetos.

Não basta demonstrar entusiasmo.

Não basta dizer que possui experiência.

Não basta prometer resultados.

Palavras apresentam.
Comportamentos confirmam.

Uma parceria verdadeira não é construída apenas sobre interesses.

É construída sobre valores, responsabilidade, transparência, compromisso.

Sobre a capacidade de cumprir aquilo que foi combinado quando as circunstâncias deixam de ser favoráveis.

Porque é muito fácil ser parceiro quando tudo está funcionando.

A verdadeira parceria aparece quando surgem problemas.

Também precisamos prestar atenção aos pequenos sinais.

Àquele compromisso que não foi cumprido.

Àquela informação que mudou.

Àquela promessa que sempre precisa ser explicada.

Àquela urgência que nunca permite uma análise mais cuidadosa.

Àquela pessoa que quer nossa confiança rapidamente...

Mas ainda não demonstrou que merece.

Não precisamos desconfiar de todo mundo.

Isso também seria um erro.

Precisamos aprender a confiar com consciência.

Existe uma diferença enorme entre ser desconfiado e ser prudente.

A desconfiança fecha portas.

A prudência verifica antes de abrir.

E talvez essa seja uma das maiores lições para quem está construindo alguma coisa:

Não escolha apenas quem pode abrir uma porta.

Observe quem estará ao seu lado depois que a porta for aberta.

Porque algumas pessoas são excelentes para apresentar oportunidades.

Mas poucas são realmente capazes de compartilhar responsabilidades.

Uma parceria não deve ser avaliada apenas pelo que podemos ganhar.

Precisamos perguntar também:

O que podemos perder?

Tempo?

Reputação?

Recursos?

Credibilidade?

Relacionamentos?

Energia?

Às vezes, o custo de uma parceria equivocada é muito maior do que o benefício que inicialmente parecia oferecer.

E existe ainda algo mais perigoso.

Alguns obstáculos não aparecem como obstáculos.

Eles aparecem como degraus.

Parecem uma oportunidade.

Parecem uma solução.

Parecem exatamente aquilo que estávamos procurando.

É somente depois de colocarmos nosso peso sobre eles que descobrimos se realmente sustentavam.

Por isso:

Nem todo degrau deve ser pisado.

Alguns precisam ser examinados.

Alguns precisam ser reforçados.

E alguns...

Precisam ser deixados para trás.

Isso não significa caminhar sozinho.

Muito pelo contrário.

Grandes construções quase sempre são feitas por pessoas.

O segredo está em escolher bem quem participa delas.

Porque boas parcerias não diminuem nossa autonomia.

Aumentam nossa capacidade.

Não criam dependência.

Criam complementaridade.

Não exigem confiança cega.

Criam confiança através de atitudes.

Talvez maturidade seja justamente aprender que:

Nem toda oportunidade é uma boa oportunidade.

Nem toda parceria é uma boa parceria.

Nem toda pessoa que chega precisa permanecer.

E nem toda porta que se abre deve ser atravessada.

Quando estamos ansiosos para avançar, qualquer degrau parece necessário.

Quando estamos conscientes do caminho, aprendemos a escolher onde colocar os pés.

E isso também é construção.

Não basta saber subir.

Precisamos saber onde estamos pisando.



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