O corretor que pergunta melhor, vende melhor
Método VICEDO - na prática #002
Existe
uma diferença enorme entre fazer perguntas e investigar.
Todo
corretor pergunta.
“Qual o
valor?”
“Quantos
quartos?”
“Qual
região?”
“Tem
financiamento?”
“Quer
novo ou usado?”
Essas
perguntas são necessárias.
Mas são
perguntas que normalmente ajudam o corretor a classificar o imóvel.
Não
necessariamente a compreender o cliente.
E é
justamente aí que começa a diferença.
Perguntar não é investigar
Imagine
que um cliente diga:
“Quero um
apartamento de até R$ 800 mil.”
O
atendimento tradicional pode começar imediatamente a procurar imóveis nessa
faixa.
Mas um
corretor com postura investigativa poderia perguntar:
“O que
fez você estabelecer esse valor?”
A
resposta pode revelar algo importante.
Talvez
seja o limite financeiro real.
Talvez
seja apenas uma referência.
Talvez o
cliente tenha encontrado um imóvel de R$ 650 mil e esteja disposto a chegar a
R$ 900 mil se encontrar algo realmente adequado.
Talvez
esteja considerando financiamento.
Talvez
tenha outro imóvel para vender.
Talvez
esteja pensando em investimento e tenha uma expectativa específica de
rentabilidade.
A mesma
pergunta inicial pode esconder cenários completamente diferentes.
Uma boa pergunta abre uma
porta.
Mas uma
boa investigação abre várias.
O
corretor investigativo não pergunta por curiosidade.
Pergunta
para reduzir incertezas.
Ele
procura entender:
- Quem está tomando a decisão;
- Por que ela está acontecendo
agora;
- Quem mais participa dela;
- O que é prioridade;
- O que é inegociável;
- Onde existe flexibilidade;
- Qual é o verdadeiro receio;
- E o que faria aquele cliente
dizer “é este”.
Perceba:
Isso é
muito diferente de simplesmente perguntar quantos dormitórios o imóvel precisa
ter.
Existe outra mudança importante: ouvir a resposta.
Parece
óbvio.
Mas nem
sempre acontece.
Muitas
vezes o cliente termina de responder e o corretor já está pensando no próximo
imóvel que vai apresentar.
Isso é
atendimento automático.
A postura
investigativa exige outra atitude:
Escutar
para compreender, e não escutar apenas para responder.
Às vezes,
a informação mais importante não está na resposta.
Está em
uma palavra que o cliente repete.
Em uma
preocupação.
Em uma
hesitação.
Em uma
mudança de tom.
Em algo
que ele inicialmente disse ser importante e depois deixou de mencionar.
O silêncio também informa.
Um
corretor que tem pressa para preencher todos os espaços da conversa pode perder
informações valiosas.
Depois de
uma pergunta importante, permita que o cliente pense.
Não tenha
medo do silêncio.
Pergunte:
“Por que
isso é importante para você?”
Depois
escute.
Pergunte:
“O que
seria um problema para você nesse imóvel?”
Escute
novamente.
Pergunte:
“Se
encontrarmos duas opções muito parecidas, o que faria você escolher uma delas?”
Agora
você começa a conhecer os critérios reais de decisão.
É aqui que o corretor deixa
de ser apenas atendente.
Atender é
responder.
Investigar
é compreender.
E existe
uma diferença comercial enorme entre as duas coisas.
Quem
apenas atende recebe uma solicitação e procura satisfazê-la.
Quem
investiga procura entender o que existe por trás da solicitação.
Por isso,
talvez o corretor não precise apresentar mais imóveis.
Talvez
precise apresentar imóveis melhores selecionados.
Menos
opções.
Mais
pertinência.
Menos
catálogo.
Mais
curadoria.
Uma experiência para esta
semana
No
próximo atendimento, faça um exercício simples.
Antes de
apresentar qualquer imóvel, tente fazer três perguntas que não estejam
diretamente relacionadas às características físicas do imóvel.
Por
exemplo:
“O que
motivou essa procura agora?”
“Quem
participa dessa decisão com você?”
“O que
você não gostaria de abrir mão?”
Depois,
não tenha pressa para oferecer uma solução.
Investigue.
Você
poderá descobrir que o cliente que parecia procurar três quartos estava, na
verdade, procurando segurança.
Que
aquele que dizia querer investimento estava procurando renda.
Que
aquele que dizia querer preço estava procurando tranquilidade.
E que
aquele que pedia dezenas de opções talvez estivesse apenas inseguro para tomar
uma decisão.
A pergunta certa pode mudar
a venda.
No Método
VICEDO, Investigação não significa complicar o atendimento.
Significa
melhorar a qualidade das informações antes de tomar uma decisão.
E quanto
melhor a informação, melhor tende a ser a recomendação.
“Quem
pergunta apenas para preencher uma ficha conhece características. Quem pergunta
para compreender conhece necessidades.”
O cliente
não precisa necessariamente de um corretor que tenha mais imóveis para
mostrar.
Talvez
precise de um profissional que tenha mais capacidade para compreender.
Método
VICEDO na prática
Enxergar
além. Compreender profundamente. Transformar realidades.


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