O TURISMO COMO MOTOR DO DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO
Durante muito tempo, turismo e mercado imobiliário foram tratados como atividades distintas.
De um
lado, a cidade recebe turistas.
Do outro,
o mercado vende terrenos, casas e apartamentos.
Mas essa
separação pode ser um erro estratégico.
Em uma
cidade litorânea, turismo e mercado imobiliário podem fazer parte do mesmo
ciclo de desenvolvimento.
Quando
uma pessoa escolhe Matinhos para passar alguns dias, ela não está apenas
ocupando uma hospedagem.
Ela está
conhecendo a cidade.
Experimentando
seus restaurantes.
Frequentando
seus espaços públicos.
Conhecendo
suas praias.
Utilizando
seu comércio.
Percebendo
sua infraestrutura.
E
formando uma opinião sobre aquele lugar.
É aí que
começa algo muito importante:
a
construção do desejo de voltar.
E,
eventualmente, de investir.
Do visitante ao proprietário
Uma
pessoa pode conhecer Matinhos durante um fim de semana.
Depois
voltar nas férias.
Mais tarde
decidir comprar um imóvel para utilizar algumas vezes por ano.
E, com o
passar do tempo, descobrir que gostaria de morar aqui.
Esse
caminho não acontece com todos os visitantes, evidentemente.
Mas ele
mostra uma relação que merece ser melhor compreendida:
o turista
de hoje pode fazer parte da demanda imobiliária de amanhã.
Por isso,
fortalecer o turismo não significa apenas aumentar o número de visitantes.
Significa
ampliar o número de pessoas que conhecem, experimentam e passam a considerar
Matinhos como uma possibilidade.
Mas existe uma condição
Não basta
divulgar a cidade.
Precisamos
estar preparados para recebê-la.
Se
queremos atrair mais visitantes, precisamos oferecer uma experiência compatível
com essa ambição.
Isso
significa pensar em:
gastronomia — restaurantes, bares,
lanchonetes, cafés e diferentes faixas de atendimento;
hospedagem — desde opções econômicas até
produtos diferenciados;
lazer e
entretenimento —
atividades para diferentes idades e perfis;
comércio
e serviços — uma
cidade preparada para funcionar além da temporada;
espaços
públicos —
praias, praças, calçadões e áreas de convivência;
eventos — capazes de movimentar a cidade
também fora do verão;
qualificação
profissional — porque
receber bem também é uma atividade econômica.
Tudo isso
contribui para uma coisa que muitas vezes não aparece nas estatísticas
imobiliárias:
a
percepção de valor da cidade.
E é justamente aí que o mercado imobiliário entra.
Um
apartamento não existe isoladamente.
Ele está
inserido em uma rua, em um bairro, diante de uma praia e dentro de uma cidade.
Por
melhor que seja o empreendimento, existe um limite para o quanto podemos
valorizar um imóvel se o entorno não acompanha.
Por outro
lado, quando uma cidade melhora sua infraestrutura, qualifica sua oferta
turística, amplia seus serviços e passa a ser mais desejada, o imóvel se
beneficia desse processo.
É por
isso que acredito que precisamos mudar um pouco a forma de pensar o
desenvolvimento imobiliário de Matinhos.
Não
devemos perguntar somente:
“Quantos
imóveis novos serão construídos?”
Precisamos
perguntar também:
“Quantas
pessoas queremos que desejem viver, investir e permanecer em Matinhos?”
Essa é
uma discussão muito maior.
Porque
construir apartamentos é uma atividade da construção civil.
Construir
uma cidade desejada é um projeto de desenvolvimento.
E talvez
seja justamente essa a oportunidade que Matinhos tem diante de si.
As obras
de infraestrutura, a melhoria da mobilidade, os investimentos públicos e
privados e o crescimento da construção civil podem criar uma nova base.
Mas
precisamos transformar essa base em experiência.
Experiência
em desejo.
Desejo em
visita.
Visita em
relacionamento.
E
relacionamento, eventualmente, em investimento e moradia.
A valorização começa antes do imóvel
Existe
uma frase que resume bem essa visão:
“A
valorização imobiliária pode começar muito antes da venda do primeiro imóvel.
Ela começa quando uma cidade passa a ser desejada.”
Matinhos
tem atributos naturais que não podem ser construídos artificialmente.
Tem
praias.
Tem
paisagem.
Tem
localização estratégica.
Tem
proximidade com grandes centros consumidores.
E agora
começa a viver um novo ciclo de infraestrutura e investimentos.
O desafio
é transformar tudo isso em uma experiência de cidade.
Porque,
no final, ninguém compra apenas 80, 100 ou 150 metros quadrados.
Compra-se
também o lugar onde aquele imóvel está.
E quanto
mais desejado for o lugar, maior será a força do patrimônio que nele está
inserido.
Uma pergunta para nossa reflexão
Se
queremos vender mais imóveis amanhã, não deveríamos começar hoje a construir
uma cidade que mais pessoas desejem conhecer, visitar e viver?


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