O medo é mentiroso.
COLEÇÃO CONSTRUIR • CAPÍTULO 18
Quantas coisas deixamos de fazer porque acreditamos que não somos capazes?
Quantas
oportunidades não aproveitamos porque imaginamos tudo aquilo que poderia dar
errado?
Quantas
vezes desistimos antes mesmo de começar?
O medo
tem uma característica curiosa.
Ele não
precisa provar que algo vai dar errado.
Basta
fazer você acreditar que pode dar.
E, muitas
vezes, consegue.
Mas
existe uma diferença importante entre medo e prudência.
Prudência
pergunta:
“Estou preparado?”
O medo
pergunta:
“E se der
errado?”
A
prudência procura respostas.
O medo
procura motivos para não tentar.
A
prudência calcula o risco.
O medo
aumenta o risco na nossa imaginação.
A
prudência prepara.
O medo
paralisa.
Imagine
alguém diante de uma piscina.
Ela quer
atravessar, mas não sabe nadar.
Nesse
caso, pular não é coragem.
É
imprudência.
Primeiro
é preciso aprender.
Treinar,
conhecer os próprios limites.
Ganhar
confiança.
Até
chegar o momento em que entrar na água deixa de ser uma aposta e passa a ser
uma decisão consciente.
Isso é
coragem.
Coragem
não elimina a prudência.
A
prudência dá estrutura para a coragem existir.
O
problema é que muitas vezes estamos preparados...
Mas ainda
assim não avançamos.
Temos
conhecimento, experiência, planejamento, capacidade.
Até
recursos suficientes para começar.
Mas
aparece aquela voz:
“E se não
der certo?”
“E se eu
perder?”
“E se as
pessoas me julgarem?”
“E se eu
fracassar?”
E então
esperamos, mais um pouco.
Depois
mais um pouco, até que a oportunidade passa.
E o mais
curioso é que, muitas vezes, descobrimos depois que aquilo que tanto temíamos
nunca aconteceu.
É por
isso que digo:
O medo é mentiroso.
Não
porque todo medo seja falso.
Mas
porque ele frequentemente apresenta possibilidades como se fossem certezas.
Ele diz:
“Você não
vai conseguir.”
Quando
deveria dizer:
“Existe
um risco. Prepare-se.”
Ele diz:
“Vai dar
errado.”
Quando
deveria dizer:
“Pode dar
errado. Analise.”
Ele diz:
“Você não
está pronto.”
Quando,
muitas vezes, estamos apenas diante de algo novo.
Talvez
seja por isso que tantas pessoas passam a vida esperando sentir segurança
absoluta antes de agir.
Mas ela
raramente chega.
Nenhuma
decisão importante vem acompanhada de garantia.
Nenhum
negócio, nenhum relacionamento.
Nenhuma
mudança, nenhum recomeço.
Em algum
momento, precisamos aceitar uma verdade:
Depois da
preparação, ainda será necessário dar o primeiro passo.
E talvez
coragem seja exatamente isso.
Não é
ausência de medo.
É não
permitir que o medo seja o autor das nossas escolhas.
Você pode
sentir medo...E continuar, pode sentir insegurança...
E
continuar, pode não conhecer todo o caminho...
E
continuar.
Porque
coragem não significa acreditar que nada dará errado.
Significa
acreditar que, se algo der errado, você terá capacidade para enfrentar,
aprender e continuar.
A vida
não exige que sejamos destemidos.
Exige que
sejamos conscientes.
Que
saibamos quando esperar, quando preparar, quando recuar.
E,
principalmente...
Quando
avançar.
Porque
existe uma diferença enorme entre estar diante de um perigo e estar diante de
uma oportunidade que assusta.
O
primeiro exige prudência.
O segundo
talvez esteja pedindo coragem.
No final,
talvez o maior adversário não seja aquilo que está diante de nós.
Seja
aquilo que imaginamos que está diante de nós.
O medo
constrói monstros antes que tenhamos sequer aberto a porta.
Por isso,
antes de desistir...
Pare. respire,
analise, prepare-se.
E
pergunte:
“Eu
realmente não posso fazer isso?”
Ou
simplesmente...
“Estou
com medo de tentar?”
Talvez a
resposta mude o seu próximo passo.


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