Construir também é saber o que não levar conosco.
Existe uma parte da construção sobre a qual quase ninguém fala.
A
necessidade de deixar algumas coisas para trás.
Quando
pensamos em construir uma vida melhor, normalmente imaginamos aquilo que
precisamos conquistar.
Mais
conhecimento.
Mais
dinheiro.
Mais
experiência.
Mais
oportunidades.
Mais
resultados.
Mas
existe outro movimento.
Às vezes,
para avançar, precisamos diminuir o peso que carregamos.
Porque
nem tudo que fez parte da nossa história precisa fazer parte do nosso futuro.
Existem
hábitos que um dia nos protegeram, mas hoje nos limitam.
Existem
pensamentos que fizeram sentido em determinada fase, mas que já não servem para
a pessoa que estamos nos tornando.
Existem
relações que foram importantes, mas que pertencem a outro capítulo.
E existem
versões de nós mesmos que precisamos agradecer...
E deixar
partir.
Maturidade
também é compreender isso.
Nem toda
despedida é uma perda.
Algumas
são evolução.
Nem todo
abandono é fracasso.
Às vezes,
é escolha.
E nem
tudo aquilo que deixamos para trás significa que deu errado.
Pode
simplesmente significar que cumpriu seu propósito.
Uma ponte
não foi construída para ser nossa casa.
Foi
construída para nos levar ao outro lado.
Talvez um
dos maiores sinais de amadurecimento seja parar de carregar aquilo que já não
precisamos provar.
Não
precisamos convencer todos.
Não
precisamos responder todas as críticas.
Não
precisamos vencer todas as discussões.
Não
precisamos mostrar que temos razão.
Não
precisamos permanecer onde nossa presença já não produz crescimento.
A energia
que gastamos tentando preservar determinadas coisas poderia estar sendo
utilizada para construir outras.
Existe
uma frase que gosto muito:
“Você não
consegue construir um novo caminho carregando tudo aquilo que pertence ao
caminho anterior.”
Algumas
coisas precisam ficar.
Não por
ressentimento.
Por
consciência.
Não
precisamos apagar o passado.
Precisamos
aprender com ele.
Porque o
passado pode ser professor.
Mas não
pode ser endereço.
A vida é
feita de ciclos.
Alguns
começam.
Alguns
terminam.
Outros se
transformam.
E nós
também.
Por isso,
talvez a pergunta mais importante não seja:
“O que
ainda falta conquistar?”
Talvez
seja:
“O que
preciso deixar para trás para conseguir avançar?”
Essa
pergunta muda tudo.
Porque
construir não é apenas acrescentar.
É também
selecionar.
É
escolher o que permanece.
É
escolher o que parte.
É
escolher o que merece nossa energia.
No final,
crescer talvez seja exatamente isso:
Aprender
a caminhar mais leve.
Levar
conosco as experiências.
Os
aprendizados.
Os
princípios.
As
pessoas que realmente importam.
E deixar
para trás aquilo que já cumpriu sua função.
Porque o
futuro não precisa carregar todo o peso do passado.
Algumas coisas devem ser lembradas.
Outras devem ser aprendidas.
E algumas simplesmente devem ser deixadas para trás.
Para que possamos continuar construindo.


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