Ganhe tempo
Durante muito tempo eu achei que decidir rápido era sinal de força.
Que responder na hora era postura.
Que reagir era personalidade.
Demorei para entender que, na maioria das vezes, era emoção.
A vida tem uma forma curiosa de ensinar.
Ela não grita.
Ela repete.
E quando você não aprende a lição, ela reapresenta a prova.
Com cenário diferente.
Mas com o mesmo conteúdo.
Eu precisei repetir alguns ciclos para perceber isso.
Tomei decisões movido por impulso.
Por orgulho.
Por medo.
Por querer resolver rápido.
Por querer provar algo.
E quase sempre o preço vinha depois.
Hoje eu entendo algo simples, mas profundo:
Nunca tome uma decisão na emoção.
Ganhe tempo.
Pense.
Analise.
E só então decida.
Ganhar tempo não é fraqueza.
É maturidade.
Porque quando a emoção baixa, a visão amplia.
Quando o orgulho acalma, a razão aparece.
Quando o medo diminui, a estratégia surge.
Às vezes eu penso que se tivesse essa maturidade aos 20 anos, o caminho
teria sido mais fácil.
Talvez tivesse sido.
Mas eu não seria quem sou hoje.
Não teria a mesma empatia.
Não teria a mesma consciência.
Não teria a mesma serenidade.
A maturidade não vem da idade.
Vem das consequências.
E toda consequência é um professor silencioso.
Hoje eu não quero ser lembrado como alguém grandioso.
Não quero ser lembrado pelo tamanho das conquistas.
Quero ser lembrado como alguém correto.
Como alguém que, apesar dos erros, nunca perdeu o caráter.
Como alguém que aprendeu.
Como alguém que amadureceu.
Se existe um legado possível para mim, é esse:
Ter aprendido a ganhar tempo.
Ter aprendido a decidir com consciência.
Ter deixado nas pessoas uma boa lembrança.
Porque no fim, não é o que construímos que permanece.
É a marca que deixamos nas pessoas.
Por Paulo Vicedo

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