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domingo, 4 de março de 2012

Fazendeiros americanos se impressionam com sistema agrícola no Brasil

Depois de quase duas semanas de viagem pelo sul do Brasil no início de fevereiro, 34 agricultores de dez estados norte-americanos ficaram impressionados com o potencial agrícola do país, ainda que a maioria das fazendas que visitaram sofria com a falta de chuva.
"Ele [Brasil] me deixou surpreso", diz Karen Furst, que possui 4 mil hectares de terras no Colorado e no Kansas. "Certamente o Brasil é uma força no mercado atual. Eu pensava que eles estavam muitos anos atrás de nós, mas eles parecem estar em pé de igualdade com a agricultura dos Estados Unidos”.


A visão de Furst é compartilhada com os outros colegas.
"É impressionante como eles conseguem fazer os alqueires crescer ano a ano", observa Kenny Falwell, produtor de Newport, no Arkansas. "Esta terra vermelha não parece ser muito produtiva, mas eles vão continuar produzindo enquanto chover”.Seca Severa
A chuva - ou a falta dela - foi um problema durante a viagem que nos levou até Londrina, Maringá e Cascavel, onde participamos no "Show Rural Coopavel”. Próximo às quedas em Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai, visitamos a fazenda de Julio Bergamasco que nos contou que a seca havia cortado a produção de soja em dois terços.
“Essa é a primeira vez em todos esses anos de agricultura que eu enfrento uma seca dessa”, ele nos disse. A família Bergamasco foi muito receptiva e nos proporcionou um almoço completo ao estilo brasileiro como costeletas de carne. Os brasileiros fazem tudo grande.
Os nossos produtores também se impressionaram com a diversidade de lavouras que vingam nas terras tropicais que sofrem com pouca, ou nenhuma, geada. “Eu estou impressionado como cada pedacinho de terra produz soja e milho”, disse Falwell. “Eu me pergunto qual seria o impacto dessas inúmeras pequenas lavouras no mercado mundial de milho.”
Os pesquisadores da Embrapa explicaram que o solo vermelho é muito profundo e bem drenado. Nós aprendemos que Emprapa exerce papel fundamental no desenvolvimento de uma variedade de soja que produz bem nos trópicos.
A nossa excursão nos levou às regiões mais antigas e tradicionais no sul do Brasil e não aos campos maiores (e planos) mais ao norte do país como o estado do Mato Grosso. Os norte-americanos observaram que a maioria do trabalho era feito por equipamentos pequenos e não tão modernos.
“Nós não vimos máquinas muito novas ainda. Eu vi um monte de cabeçalhos de 12-15 pés e brocas de 15 pés”, citou Falwell. “Nós usávamos esse equipamento há 30 anos. É incrível como a gente já pode ver a tecnologia, que eles ainda não têm, chegando.”
Altas e Valores
Outra surpresa, observa Jim Sullivan, de Ft. Dodge, em Iowa, foi que o preço da terra é similar ao cinturão de milho. Dois fazendeiros cotaram suas propriedades por volta de US$10 mil a US$14 mil por acre.


“Eu estou impressionado com o que estou vendo aqui”, disse Sullivan. “Para mim, ainda é incompreensível que eles façam isso. O que eu não sabia é que eles tinham essa abundância de água, o que é uma vantagem natural.”
Sullivan disse não ver o setor rural brasileiro como uma ameaça para a agricultura dos Estados Unidos. “No entanto, eu acho que eles sejam concorrentes muito fortes”, ele disse. “Se vocês acham que esses meninos aqui estão atrasados, eles não estão.”
John Rigdon, um agricultor de milho e soja de Maryland, diz que o Brasil só agora está trabalhando o seu potencial. "O Brasil ainda pode gerar muito mais, especialmente do ponto de vista de valor agregado", diz ele. "O Brasil pode ser um companheiro, colaborador e concorrente de uma vez só . Eles têm recursos naturais maravilhosos e trabalho mais barato em relação a nós. E com os avanços eletrônicos atuais, eles podem tecnologicamente chegar até nós muito mais rápido do que eles poderiam há 50 anos, em termos de precisão e gerenciamento de dados. "Desafios do governo
Se nós ouvimos uma reclamação unânime dos brasileiros, foi aem relação aos impostos. A maioria dos produtores locais reclamou que os equipamentos e os suplementos agrícolas custam quatro vezes mais do que os países vizinhos por causa dos altos impostos.
Os fazendeiros brasileiros também sofrem controle rígido, destacou Rigdon. "A infra-estrutura financeira para empréstimos é muito mais restritiva do que a nossa e as taxas de juros são muito altas", acrescenta. "Parece que o dinheiro está concentrado nas mãos de poucos. É difícil começar a agricultura em qualquer escala em os EUA, mas aqui parece que seria ainda mais difícil. "
Sullivan concorda. “Eles são muito mais modernos do que pensávamos”, diz. “A única coisa que precisam é de dinheiro. Se eles não conseguem com o próprio governo, então a China, o Japão ou outros investidores vão prover.”


Dan Duval, um fazendeiro e comerciante de Green Valley, em Illinois, disse que o Brasil é um país jovem e cheio de otimismo, mas carece de infra-estrutura. "Eles têm vastos recursos e parecem ter um plano de longo prazo", fala. "Eles parecem ter mais foco na sustentabilidade do que nós temos. Viemos apreciar a conservação muito mais tarde, aqui eles abraçaram a ideia mais rapidamente. "
Cerca de três quartos da soja do Brasil são para plantio direto, fato que aprendemos logo no início da viagem quando nos encontramos com o "pioneiro" da prática brasileira, Herbert Bartz.
Parece ser mais fácil para os brasileiros adotar novas ideias, observa Sandy Duval, mulher de Dan e pesquisadora do laboratório do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos localizado na Peoria,em Illinois. "Às vezes os agricultores americanos sofrem com a pressão dos colegas e eu não vejo isso entre os agricultores brasileiros", disse. "Eles não fazem as coisas apenas porque a geração anterior fez."
Muitas Semelhanças
Muitos de nossos participantes concordaram: os brasileiros tinham muito em comum com os produtores americanos.


"Nenhum de nós tem qualquer influência sobre os preços, o que pagamos para as entradas ou sobre as variações do clima", citou Sandy Duval. "Além disso, indiferente de onde ou o que plantamos, a paixão dos agricultores brasileiros e americanos é a mesma. Nós realmente temos mais em comum do que você pensa. "
Randy Rosengren, um agricultor de Ottawa, Illinois, concorda. "Fiquei surpreso com as semelhanças - as lutas deles são parecidas com as nossas", enfatiza. "Eles lutam com a gestão de risco, os relatórios da USDA e o Conselho de Comércio tanto quanto nós."



Fonte CNA

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